3.8.06

olhar-te nos olhos num café italiano

não te deixes morrer antes de me ver
uma outra vez, aqui, neste café italiano
e que eu te possa nesse dia dizer, em voz alta,
que a maneira como olho por teus olhos dentro
me faz sentir a afogar-me num mar espesso.

não te deixes morrer antes que o sol
nos possa vir fazer brilhar as peles claras
e que eu te possa nesse dia dizer, em voz alta,
que o tempo que eu imagino calmo e nosso
chega como a maresia à nossa terra.

não te deixes morrer antes que as lágrimas
façam brotar flores sorridentes deste mármore
e que eu te possa nesse dia dizer, em voz bem alta,
que a curva dos meus dedos sobre a tua cintura
é o círculo perfeito de um amor que ainda subsiste.

in os fracos escrevem poemas de amor, Veneza, 1957.

4 Comments:

Blogger Margarida said...

Ainda bem que a "fraqueza" anda quase sempre associada, como aqui, ao talento.

12:04 da manhã  
Blogger L. Rodrigues said...

Mas há poemas que não sejam de amor?

9:08 da manhã  
Anonymous blota said...

divino de tão terreno

12:25 da manhã  
Blogger Luís Filipe Cristóvão said...

Olá Blota!

ainda bem que voltaste ;)

3:39 da tarde  

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