3.11.06

acordeão

todo este silêncio ou
só um acordeão ao fundo da sala onde respirar é proíbido
mas
alguém tosse devagar e eu
solenemente enxuto e sozinho
baixo o olhar em volta do foco de luz e
respiro o meu corpo inteiro de volta a mim.

todo este silêncio e sim,
a mesma vontade de uma refeição limpa e outra vez
tu
as tuas mãos dóceis que me tocam
no escuro da sala de espectáculos
enquanto todos os outros à nossa volta
recuperam pedaços de si de dentro da boca.

todo este silêncio e mais
um acordeão que vem de fora do mundo nosso,
sol,
no meio de tanta chuva sinto-me aquecido pelos sons
e pelos abraços do fole que abre e fecha devagar
no ritmo de um amor que existe entre dois entes
um amor que do meio do silêncio se levanta a respirar.