11.10.06

palavras preferidas

aquela palavra de que tu costumavas gostar ou não ou não
três vezes quatro quantos eram debaixo do guarda-chuva
quando a água começou a escorrer pelos teus ombros despidos
sombras aguentadas em frança se fosses pequena outra vez
eu podia pedir-te ainda ao ouvido um rebuçado dos que trazias no bolso
ou não ou não tinhas palavras preferidas não era?

aquela palavra que ficava bem nos poemas que não escrevias
depois depois de ser mais que hora de estares na cama e pernas esticadas
sobre a mesa da sala a ver o mesmo filme todas as noites, era assim
que começava a história do teu livro ou do teu país,
como se isso tivesse alguma importância para o que estamos agora
a falar a falar ou não ou não a dizer ao ouvido, isso.

aquela palavra outra vez mas de outra maneira diferente -
afinal de quantas sílabas precisas para acordar sorridente e sair da cama
e sair do quarto e da casa e do prédio e da cidade e do mundo,
aprender a voar mesmo sem asas porque as ideias são como a chuva
apanham-te quando atravessas a estrada a caminho do café
molham-te o casaco todo e mais quantas palavras preferidas tiveres tu.

3 Comments:

Blogger .joana. said...

pois é.

10:22 da manhã  
Blogger canela_e_jasmim said...

As palavras preferidas nem sempre são as palavras proferidas.Porque nem sempre há tempo.Ou porque não há ouvidos.
Recebe num beijo, como se fosse um rebuçado,a minha palavra preferida.
Apenas porque ,mais das vezes, as palavras preferidas se desenham nos gestos e não no papel.

12:10 da tarde  
Anonymous blota said...

"...as ideias atravessam-se no caminho para o café.."

a vontade de as partilhar perde-se no caminho de regresso..

1:23 da tarde  

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