6.10.06

4.980


diz-me que o peso da culpa não é significativo em tudo isto, que o facto dos candeeiros terem acordado a rua em simultâneo não constrói prova reveladora, que masturbar-me à tua frente, fazer-te transpirar sem nos tocarmos, não é fundamental para uma aprendizagem séria das consequências fisiológicas do amor

o sentido do limite no meio das pernas e o cheiro quente do bolo de iogurte a queimar no forno enquanto eu
- eu vou sempre querer perguntar porquê



Ontem.
O sentido do cérebro demasiado pesado levou-me ao ridículo: dei por mim nua na cozinha, estendida sobre a mesa de mármore preto com a cabeça apoiada na balança dos bolos, a balança de casa utilizada na medição rigorosa das gramas de açúcar,

das gramas de farinha,
do peso azul dos ovos para os bolos de domingo
- a medição séria e cientifica do peso do meu cérebro sem ti cá dentro porque morto



Ao estranhar a medição do corpo, o prato de metal pediu-me para desviar o cabelo e ficar quieta.

Foi dito no silêncio: 4.980 gr.

Eu engoli-me para que ninguém soubesse.

2 Comments:

Blogger Luís Filipe Cristóvão said...

vivemos todos no silêncio pouco explorado das palavras que engolimos.

um beijo

10:18 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Mordes-me as ideias ;)

3:21 da tarde  

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